O relatório anual de vazamentos registrou aumento de 60% nos incidentes originados em terceiros, número que descreve um risco fora do alcance da avaliação interna de qualquer empresa.
A mecânica é simples e desconfortável. Cada fornecedor conectado é um caminho para dentro, e a decisão de conectar costuma ser tomada por área de negócio, com critério de utilidade, sem passar por avaliação de segurança.
O crescimento tem explicação estrutural. O número de integrações por empresa cresceu junto com o modelo de software como serviço, e cada nova ferramenta chega pedindo acesso amplo porque acesso amplo facilita a implantação.
Os casos do próprio mês ilustram o padrão: fornecedor de segurança com código acessado, sistema de documento de franqueado, plataforma corporativa de gestão. Em nenhum deles o alvo final era a empresa atingida.
A defesa prática é chata e cabe numa tarde: listar toda integração ativa, remover a que ninguém usa mais, reduzir escopo do que sobrar e anotar prazo de notificação em cada contrato. Nada disso é caro, e é o que separa quem é avisado de quem descobre pela imprensa.
