A sequência do incidente na plataforma de ensino ilustra bem o dilema que qualquer organização atacada enfrenta: a empresa optou por corrigir a falha em vez de negociar, e o grupo responsável respondeu com uma queda que exibia recado de resgate a todos os usuários.
A retaliação é a parte que raramente aparece nas recomendações. Especialistas convergem que pagar financia a operação seguinte e não garante que o dado seja apagado, mas a recomendação costuma ser dada sem descrever o que acontece com quem a segue.
O que acontece é exatamente isso: perdida a alavanca do dado, o atacante busca outra, e a mais barata é o constrangimento público em momento de pico.
Por isso a decisão de não negociar precisa ser tomada antes do incidente, quando ninguém está sob pressão, e precisa vir acompanhada de preparo para o segundo round: comunicação pronta, capacidade de operar com sistema degradado e cópia de segurança testada.
Empresa que decide na hora costuma decidir errado, porque a conta que aparece na mesa naquele momento é sempre a de curto prazo.
