Na conferência de desenvolvedores da Apple, em 8 de junho, Tim Cook fez sua última apresentação como executivo-chefe da empresa, cargo que deixaria em 1º de setembro. O anúncio central foi a Siri reconstruída sobre um modelo sob medida de 1,2 trilhão de parâmetros desenvolvido pelo Google, em acordo estimado em cerca de um bilhão de dólares por ano.
Junto veio um sistema de extensões com múltiplos fornecedores de IA, que colocou pela primeira vez um modelo da Anthropic como opção dentro do iPhone, além de uma nova geração de modelos próprios da Apple, feita em conjunto com o Google, para uso no aparelho e em servidor.
A leitura estratégica é clara e incomum. A empresa que historicamente controla a pilha inteira de seus produtos passou a depender de modelo de um concorrente direto para a camada mais visível do sistema.
A escolha é coerente com a estratégia declarada de processamento no aparelho, nuvem privada e parceria externa, em vez de construção massiva de infraestrutura. Evita a linha bilionária de investimento que as concorrentes assumiram, e transfere para contrato um risco que as outras assumiram em obra.
O ponto de atenção é o de sempre em dependência de fornecedor, agravado por ele ser concorrente: mudança de preço, de disponibilidade ou de prioridade atinge um produto que é assinatura da marca.
