Analistas que acompanharam o plano nacional chinês de infraestrutura de inteligência artificial apontaram como questão em aberto qual camada de interconexão o país adotaria para conectar data centers em escala nacional.
A pergunta é técnica e decisiva. Encher um data center de aceleradores é um problema de compra e de energia; conectar data centers distantes para trabalharem como um só é um problema de latência e de banda, e nenhuma quantidade de aceleradores compensa uma conexão lenta.
É o mesmo diagnóstico que apareceu em outras frentes do semestre, com fundições correndo por óptica integrada ao pacote do chip, fabricante de rede dobrando capacidade de comutação em uma geração e governo destinando recurso público a tecnologia de movimentação de dados entre processadores.
A escolha tem consequência de longo prazo. Interconexão é ponto de controle tão relevante quanto a fabricação do chip, e quem define o padrão dessa camada define o ritmo de quem depende dela.
Para operações que apenas alugam capacidade, nada disso muda o preço deste mês. Muda o desenho do que estará disponível daqui a alguns anos e a que custo por tarefa.
