A China divulgou um plano quinquenal de 2 trilhões de yuans, cerca de 295 bilhões de dólares, para construir infraestrutura nacional de inteligência artificial conectando data centers pelo país, com meta de 80% da tecnologia vinda de empresas chinesas e substituição de aceleradores importados por equipamento local.
A cifra impressiona menos que a meta de composição. Oitenta por cento de tecnologia nacional é declaração de política industrial, não de preferência de compra, e implica prazo longo e tolerância a desempenho inferior no intervalo.
A lógica é a mesma que apareceu, em escala menor, em decisões corporativas do período: quem depende de fornecedor sujeito a restrição de exportação não controla o próprio calendário. A diferença é que aqui a resposta é construir a alternativa inteira.
Para o mercado global, o efeito de médio prazo é de mais um polo de capacidade, com padrões próprios. Para o de curto prazo, é mais demanda disputando a mesma capacidade de fabricação que já está apertada.
Vale registrar o contraste do período: enquanto uma potência anunciava construção de capacidade, a outra discutia padrão voluntário de lançamento de modelo. Duas leituras diferentes de onde está o gargalo.
