A Microsoft informou que espera chegar a 190 bilhões de dólares em investimento de capital em 2026. Do aumento previsto, 25 bilhões vêm apenas da alta de preço de memória e armazenamento.
O número isolado impressiona menos que a comparação. Nos quatro trimestres anteriores, a empresa gastou 97 bilhões, enquanto os serviços de IA geraram 37 bilhões em receita recorrente anual. A diferença entre as duas cifras é o que levou analistas a levantar dúvida sobre retorno.
A parcela atribuída a memória merece atenção separada. São 25 bilhões que não compram capacidade adicional: compram a mesma capacidade a preço maior. É o mesmo aperto que fez fabricantes de notebook aceitarem fornecedor alternativo e que levou preço de memória de volta ao patamar de 2007.
Para o mercado, o dado tem efeito de referência. Quando a maior compradora de infraestrutura declara quanto do aumento é preço e não volume, fica mais difícil para qualquer fornecedor justificar reajuste como consequência de melhoria técnica.
A dúvida sobre retorno não significa que o investimento esteja errado, e sim que o prazo para justificá-lo ficou mais curto do que o de uma construção de data center.
