Entre os números divulgados no período, um se repete em contextos diferentes: o preço de memória e armazenamento subiu o suficiente para aparecer isolado no orçamento das maiores compradoras de infraestrutura.
No caso da Microsoft, 25 bilhões de dólares do aumento do investimento previsto para o ano vêm apenas dessa alta. É um valor que não compra capacidade adicional, apenas paga mais caro pela mesma coisa.
A causa é conhecida e vem sendo documentada há meses: a demanda por memória de alta largura de banda para inteligência artificial concorre com a produção destinada a computador pessoal e a telefone, e capacidade de fabricação nova leva anos.
O efeito desce a cadeia inteira. Fabricantes de notebook passaram a aceitar fornecedor alternativo para não parar a linha, e chips destinados a telefone ficaram aguardando encapsulamento.
Para quem compra equipamento em qualquer escala, a leitura prática é que orçamento baseado em preço do ano anterior não fecha, e que a diferença não se resolve por negociação com fornecedor.
