O argumento comercial da nova plataforma de segurança da Microsoft não é encontrar mais falhas que a concorrência. É encontrar antes, porque a economia de roteamento entre modelos torna viável rodar a varredura de forma contínua.
A diferença entre varredura periódica e contínua é a janela de exposição. Uma análise semanal encontra o problema até sete dias depois de ele entrar no código, e esse intervalo é exatamente o que um atacante precisa. O caso da chave de assinatura exposta em repositório público, noticiado semanas depois, é a ilustração perfeita: o problema existia e ninguém estava olhando naquele momento.
O que tornava a varredura contínua inviável era custo. Passar todo o código por um modelo de fronteira a cada alteração é caro demais para a maioria das operações. Triar com modelo barato e escalar apenas os casos difíceis muda essa conta.
O desenho tem um risco embutido que vale nomear: se a triagem barata classificar errado um caso grave como trivial, ele nunca chega ao modelo capaz de entendê-lo. A qualidade do sistema passa a depender da calibragem do filtro, não do melhor modelo disponível.
É a mesma lição que aparece em qualquer barreira automatizada: o valor está em ser exercitada com caso conhecido antes de valer como proteção.
