Engenheiros que trabalham instalados dentro do cliente viraram a obsessão de contratação do setor de IA, segundo levantamento publicado nesta semana. O papel consiste em ir até a operação do cliente, entender o processo real e fazer o sistema funcionar ali dentro.
A demanda diz algo sobre o estágio do mercado. Quando a dificuldade estava em fazer o modelo funcionar, o cargo cobiçado era o de pesquisa. Com modelos capazes disponíveis por assinatura, o gargalo se deslocou para a distância entre o que a ferramenta faz numa demonstração e o que ela precisa fazer no fluxo específico de cada empresa.
Essa distância raramente é técnica. Costuma ser um processo que ninguém documentou, uma exceção que só um funcionário antigo conhece, um sistema legado que não expõe os dados de que o modelo precisaria. Nada disso se resolve com um modelo melhor.
Levantamentos da mesma semana reforçam o quadro: a demanda por habilidades de infraestrutura em nuvem seguiu firme, mesmo com demissões em outras áreas, e um estudo apontou que a maioria dos empregadores prepara os funcionários para a IA de hoje, não para as funções que ela vai criar.
O resumo do mercado de trabalho em IA nesta semana é que a escassez migrou. Falta menos gente que sabe treinar modelo e falta mais gente que sabe encaixar um modelo numa operação que já existe e não pode parar.
