A WIRED revelou que a Meta programou reconhecimento facial nos óculos inteligentes e depois apagou o código. O executivo de tecnologia confirmou. O recurso se chamava Name Tag.
A leitura fácil é que a empresa recuou por pressão. A leitura que fazemos é outra: a tecnologia já está testada, modular e pronta para ser religada no dia seguinte.
Imagine um sistema de câmeras num condomínio. Você instala o equipamento, instala o programa, mas deixa o reconhecimento facial desligado por padrão. O código está lá, compilado, esperando. Basta uma chave no servidor. Foi o que aconteceu com o Name Tag, com uma diferença: a chave está na mão de uma empresa que já mostrou não ter freio quando o assunto é coleta de dados.
A consequência para quem opera tecnologia é direta. Código removido não é código destruído. Quem mantém sistema em produção sabe que o que foi para o histórico volta. O que importa não é o que está no programa hoje, é o que foi desenhado para ser ligado à distância.
Isso vale para qualquer recurso de vigilância. O equipamento já entregou o sensor, o programa já tem a rotina. Falta uma permissão no servidor.
O debate sobre óculos que assustam não é sobre o que eles fazem agora. É sobre o que o fabricante pode ligar amanhã sem avisar ninguém.
