O índice anual de inteligência artificial publicado por Stanford registrou que data centers de IA consomem 29,6 gigawatts no mundo, aproximadamente o pico de demanda elétrica do estado de Nova York. Os Estados Unidos operam mais de 5.400 data centers, e quase todo chip de ponta usado neles vem de um único fabricante em Taiwan.
Os dois números descrevem fragilidades diferentes. O consumo em gigawatts explica por que contratos de capacidade passaram a ser negociados em energia e não em número de equipamentos: a rede elétrica virou o limite real de expansão.
A concentração da fabricação descreve a outra. Depender de um fornecedor num único território é risco que governos passaram a tratar como estratégico, o que explica os planos de bilhões em fábricas anunciados em três continentes nos meses seguintes.
Vale notar o que esses planos não resolvem no curto prazo. Fábrica leva anos entre anúncio e produção em volume, então a fragilidade descrita pelo índice continua valendo durante todo o período em que a demanda cresce mais rápido.
Para quem contrata capacidade, o dado útil não é o total mundial e sim a causa da fila: quem consegue energia contratada perto de onde há rede disponível define quanto do mercado consegue atender.
