Nos incidentes do início de maio, o volume alegado por quem atacou não coincidiu com o confirmado pelas empresas atingidas, diferença que é rotineira e tem causa estrutural.
Quem ataca tem interesse em inflar o número, porque isso aumenta a pressão para negociar, valoriza o material e rende repercussão, que faz parte da alavanca.
Quem foi atingido tem interesse oposto, e nem sempre por má-fé: confirmar registro exposto aciona obrigação de notificar pessoa por pessoa, com custo direto e prazo curto, então a empresa confirma apenas o que verificou.
O efeito dessa assimetria recai sobre quem teve dado exposto. No intervalo entre a alegação e a confirmação, a pessoa não sabe se está no pacote, e é justamente nesse intervalo que golpe dirigido funciona melhor.
A prática que reduz o dano é de comunicação: ter pronta a mensagem que diz o que se sabe, o que ainda não se sabe e o que a pessoa deve fazer enquanto isso, em vez da nota genérica que promete apurar.
