Na segunda semana de junho, o prazo para aplicação de exigências da lei europeia de inteligência artificial estava a 55 dias, contagem acompanhada de perto por fornecedores de modelo de uso geral.
O conteúdo da exigência é o que a torna incômoda para o setor: documentar informação sobre o modelo, fornecê-la a autoridades e a quem constrói produto em cima, manter política de direito autoral e publicar resumo suficientemente detalhado do conteúdo usado no treinamento.
A obrigação de publicar resumo de material de treinamento transforma em dever legal o que sempre foi decisão comercial. Empresas evitavam detalhar a origem dos dados justamente porque isso abre caminho para disputa de direito autoral.
O calendário europeu correu em paralelo a decisões judiciais no mesmo sentido, com tribunal alemão entendendo depois que treinar com repertório protegido exige licença, alcançando tanto o treino quanto a semelhança do que o modelo gera.
Para quem constrói produto sobre modelo de terceiro, a norma cria uma via de informação nova: o fornecedor passa a ter que repassar dados de conformidade para baixo na cadeia, o que é útil para quem precisa responder ao próprio cliente.
