A Micron anunciou mais 50 bilhões de dólares em fabricação nos Estados Unidos, elevando o total planejado a 250 bilhões até 2035, com instalações em Nova York, Idaho e Virgínia.
O prazo é a informação mais importante do anúncio. Nove anos separam a decisão do total previsto, o que descreve com precisão por que a escassez de memória não se resolve com dinheiro no curto prazo: fábrica de semicondutor não se contrata como se contrata servidor.
Nesse intervalo, quem precisa de memória continua disputando a capacidade que já existe. Foi o que levou fabricantes de notebook a aceitar fornecedor alternativo e o que fez o preço voltar ao patamar de quase duas décadas atrás.
Movimentos semelhantes ocorreram no mesmo período em outras regiões, com compromisso de bilhões de euros para produção na Europa, aceleração de nova fábrica na Coreia e entrada da Índia em produção comercial de encapsulamento. É uma redistribuição geográfica que responde tanto à demanda quanto a risco político.
Para o comprador, o efeito prático dessas obras aparece na virada da década. Até lá, a variável que decide preço continua sendo quanta capacidade existe hoje e quem a reservou antes.
