Levantamento da Certinia, consultoria de gestão de serviços em nuvem, indica que apenas um quinto das empresas que adotaram inteligência artificial afirma que a tecnologia superou as expectativas. O dado, publicado em 22 de agosto, aponta um descompasso entre a promessa vendida aos executivos e a entrega real nas operações.
O estudo ouviu líderes e profissionais de tecnologia em organizações de diferentes portes. Enquanto a alta gestão costuma divulgar casos de sucesso com IA, os times que implementam e mantêm os sistemas relatam resultados aquém do esperado — o que gera erosão de confiança interna.
Esse gap entre percepção de líderes e prática de quem opera é conhecido em ciclos anteriores de hype tecnológico, mas ganha contornos críticos agora porque os investimentos são de grande escala. A Certinia aponta que investidores começam a questionar quando o retorno vai se materializar, e a pressão por resultados imediatos pode levar a cortes em projetos que ainda não amadureceram.
Para quem opera sistema em produção, o recado é direto: métricas de sucesso da IA precisam ser acordadas antes da implantação, e não depois. Sem indicadores objetivos, o risco de decepção na liderança e de descontinuação abrupta de projetos é alto.
O jornal entende que o problema não é a tecnologia em si, mas a expectativa irrealista que a cerca. Projetos de IA em produção precisam de metas mensuráveis desde o início, e não de discursos de transformação que não se sustentam na entrega de segunda-feira.
