A Apple teria pausado seu programa de óculos inteligentes por preocupações de privacidade, segundo relatos do período.
A decisão dialoga com outro movimento do setor, quando uma concorrente confirmou ter programado reconhecimento facial em óculos e removido o código antes do lançamento. Duas respostas diferentes ao mesmo impasse.
O impasse é estrutural. Óculos com câmera funcionam melhor quanto mais reconhecem o ambiente, e isso inclui reconhecer pessoas que não escolheram participar. Nenhuma configuração no aparelho de quem usa resolve o consentimento de quem está em volta.
Pausar tem custo competitivo evidente num mercado em movimento, e é a única decisão disponível quando a dificuldade não é de engenharia.
Para quem constrói produto com câmera em espaço compartilhado, a pergunta que trava o projeto raramente é se dá para fazer, e sim quem consente pelo terceiro que aparece no quadro.
